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Como superar a maldição política da camisa verde e amarela na Copa do Mundo

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Ela já nos fez tão bem, mas a nódoa da extrema direita lambuzou a amarelinha de rejeição durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro. A mancha no uniforme mexeu até mesmo com aquele torcedor que curte futebol apenas durante a Copa do Mundo. Daí a tentativa urgente dos cartolas da CBF para lavar a sujeira associada aos bolsominions.

A campanha publicitária com rap e refrão chiclete de Lulu Santos veio com a tarefa de retomar a camisa para brasileiros de todas as preferências políticas. Na frente dos quartéis e nas estradas, porém, os derradeiros zumbis do golpe seguem vestidos de Neymar Jr., o mais célebre dos eleitores do candidato derrotado nas urnas.

“Ela me faz tão bem, Ela me faz tão bem/ Que eu também quero fazer isso por ela.” A levada alto astral da música pode até reduzir o estrago que restou para a camisa amarela. A D.R. (a mitológica discussão de relação), porém, será longa.

Há quem não consiga superar o ranço e já decidiu torcer contra. E pronto. Há quem tranquilamente vista a azulzinha e saia por aí na buena. Tem também aquele e aquela dispostos a tirar do armário a vermelha alternativa, com um “Lula Livre” no lugar do escudo, só para lembrar que no Mundial de 2018 a barra foi muito mais pesada, ora bolas.

Vale a canarinha com o 13 nas costas, o modelo adotado e defendido em discurso pelo presidente eleito. Vale a indumentária verde e amarela sob a cabeça erguida do boné CPX, estica padrão Rene Silva, o fundador do jornal Voz das Comunidades, do Complexo do Alemão e arredores. Vale toda a customização possível nos adornos do Pacheco e da Pacheca – para lembrar o torcedor cri-cri e fanático símbolo publicitário da Copa de 1982.

Se você tem crianças em casa sabe que elas não perdoarão o seu tédio ou desprezo com a Seleção. Você prometeu, no mínimo, insinuou que a vitória de Lula liberaria geral no uso das cores da bandeira. Promessa é dívida. Confesso que azularei, vestido com a 8 de Sócrates, o doutor da democracia. E que os meninos e meninas amarelem à vontade.

Até a “neymardependência” acabou, gente, a aposta é coletiva. O time vai embalar no conjunto. Não particularize o escrete no camisa 10.

Você sabia, aliás, que na extrema direita também não existe unanimidade a respeito da Seleção? Há um bode do bolsonarismo com o Tite. Milhões acreditam que ele seja um “perigoso comunista”.

Confesso que azularei, vestido com a 8 de Sócrates, o doutor da democracia.

Usam como prova o encontro do técnico com Luiz Inácio Lula da Silva em 2012, quando parte do elenco do Corinthians visitou o petista para mostrar o troféu da Libertadores das Américas.

O ódio ao “comuna” foi ampliado em 2021, quando o treinador disse que o time da CBF estava insatisfeito com a realização da Copa América durante a pandemia da covid-19. Os negacionistas piraram.

Usada politicamente por candidatos e autoridades desde 1950, a Seleção ajudou na imagem de alguns governantes – como o ditador Emílio Garrastazu Médici em 1970 –, mas nunca definiu o resultado de uma corrida eleitoral. Na hora H do embate, vale mais o pão que o circo. Conta mais a fila do osso, emblema da política econômica de Paulo Guedes, do que as firulas e influência de Neymar Jr. nas redes sociais.

Longe do romantismo da “Pátria em chuteiras”, conceito hiperbólico do cronista Nelson Rodrigues, o país remenda as vestes, cinge molambos e tenta refazer um manto minimamente democrático. É assim que chegamos à Copa do Mundo 2022.

O barato foi louco, o processo será lento, vale o versículo dos Racionais MC´s. É do jogo. Não será um clipe pop da CBF ou o agito da Nike que vai embalar o fingimento de um país unido. Os descamisados estão há muito tempo do lado de fora da festa.

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